Por Michelson BorgesOutro dia, vi uma cena que me deixou realmente aborrecido. Da sacada de um sobrado de classe média um grupo de adolescentes desocupados fazia pontaria na rolinha, pousada em uma árvore em frente de casa. De repente, ouvi um estampido seco vindo da espingarda de pressão e alguns risos de triunfo. No instante seguinte, o pobre animal indefeso estava no chão, debatendo-se inutilmente contra a morte.
Creio ter lançado um olhar gélido e involuntário aos rapazes, pois eles se esconderam dentro da casa, até que eu entrasse em minha residência. A "política da boa vizinhança" me impediu de ir até eles e dizer algumas coisas.
Depois comentei com a Débora, minha esposa, enquanto acariciava nossa cadelinha Laila, contente por ver-me chegar do trabalho: "Como o ser humano se tornou insensível."
Enquanto conversávamos sobre o triste ocorrido, outra cena me veio à mente. Lembrei-me de quando fui visitar uma pessoa considerada um bom cristão, bastante missionário. Ao chegar à casa dele, fui convidado a entrar, mas havia um cachorro distraído obstruindo o acesso. Sem pensar duas vezes, o homem desferiu um pontapé no bicho, expulsando-o do jardim. Engoli em seco e prossegui em minha visita.
O que ocorre conosco? Mesmo pessoas que se dizem religiosas comportam-se, por vezes, de maneira mais selvagem que certos animais.
Talvez você esteja pensando: "Por que se preocupar tanto com os bichos, quando há crianças morrendo de fome, sofrendo abusos, e seres humanos sendo brutalmente assassinados a cada dia?" Concordo que deva haver uma hierarquia de preocupações, mas peço-lhe liberdade para usar uma declaração de Jesus, fora de seu contexto (quando Ele conversava com os fariseus a respeito do dízimo, da justiça e do amor de Deus - cf. Lc 11:42): "Devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas."
Nossos amigos: os animais
Pesquisas indicam que certos animais, como os golfinhos e os chimpanzés, são capazes de se reconhecer no espelho (IstoÉ, 9/05/2001), o que é um indicativo da consciência animal.
As baleias também surpreendem. Houve o caso de uma mergulhadora norte-americana que nadava próximo a um grupo desses grandes cetáceos. Uma das baleias se assustou e agarrou a mulher pela perna, levando-a para o fundo do oceano. De repente, de maneira inexplicável, como se tivesse percebido o apavoramento da mergulhadora, a baleia voltou rapidamente para a superfície, deixando a mulher sã e salva.
Aqueles que têm animais de estimação como cães, por exemplo, volta e meia são surpreendidos com a inteligência e o carinho manifestados por esses animais. A respeito disso Ellen White escreveu: "A inteligência apresentada por muitos mudos animais chega tão perto da inteligência humana, que é um mistério. Os animais vêem e ouvem, amam, temem e sofrem. ... Manifestam simpatia e ternura para com seus companheiros de sofrimento. Muitos animais mostram pelos que deles cuidam uma afeição muito superior à que é manifestada por alguns membros da raça humana. Criam para com o homem apegos que se não rompem senão à custa de grandes sofrimentos de sua parte" (A Ciência do Bom Viver, p. 315, 316). [Leia mais]
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