
A classe dos mamíferos, os animais mais evoluídos da natureza segundo a biologia, tem mais de 6 mil grupos. E só um deles consome leite de uma espécie diferente da sua na fase adulta: o ser humano. A constatação fundamenta a Campanha pelo Desaleitamento Adulto, promovida pela ONG Instituto Nina Rosa ao longo dos últimos quatro meses. No panfleto usado para divulgar o trabalho da instituição uma vaquinha indignada, desenhada pela cartunista Magô Pool, questiona: "Se sua mãe, que te ama tanto, não te dá leite por que eu, que não tenho nada a ver com isso, tenho que dar?"
O bom humor da campanha não apaga a seriedade da questão sobre a qual ela propõe reflexões: a exploração das vacas leiteiras, submetidas a gestações contínuas, de acordo com os ambientalistas, para atender a demanda por leite. O aspecto ético que envolve o tema é tão polêmico quanto o fundamento científico que o cerca. Se de um lado os reumatologistas criticam o baixo consumo de laticínios, de outro especialistas em nutrição enfatizam o potencial alergênico desses alimentos - acusados de estimular o desenvolvimento de várias doenças.
Mestre em nutrição clínica funcional pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp), Daniela Jobst defende que o consumo de leite e de seus derivados está relacionado à constipação intestinal crônica. "Fiz um estudo sobre essa relação com 180 pacientes. Quando eles cortaram os laticínios da dieta houve uma melhora de 40% nos casos de constipação", relata. "Quando se fala em alergias desencadeadas pelo leite as pessoas pensam apenas na intolerância à lactose, que é imediata, mas desconhecem as alergias tardias, representadas por estufamento abdominal, gases e obesidade", completa.
Na avaliação de Daniela, a dieta humana prescinde só do leite materno. "Crianças são as mais prejudicadas pelo superconsumo de laticínios, são as mais suscetíveis a alergias respiratórias e dermatites", diz. Segundo a nutricionista, o leite participa desse processo por ter um caráter mucogênico, ou seja: favorece a secreção de muco, que propicia a proliferação de germes. "Nos casos de celulite, por exemplo, que é um processo inflamatório, o papel agravante do leite é claro. Ele também interfere nos quadros de diabete do tipo I, por apresentar alto índice glicêmico." [Leia mais]
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