Você já sentiu uma dor tão grande no peito que não tinha explicação? Ou um momento de tristeza que nem você consegue entender?
Hoje resolvi escrever sobre o conflito reprimido, simplesmente porque ele faz parte da minha monografia no curso de pós-graduação. Sempre gostei de estudar assuntos ligados a mente humana, acredito que pra conseguir entender e digerir melhor todos os traumas e situações difíceis que vivi. Por incrível que pareça não fiz psicologia, mas amo essa área e gosto muito de ajudar alguns amigos com conselhos que eu mesmo aprendi na terapia e com os livros que li.
Esquadrinhando o livro “O conflito na empresa” de Michel Fustier, encontrei uma passagem que me fez, pela primeira vez, dimensionar o conflito reprimido e entendê-lo melhor: “Um ferimento não desinfetado no momento em que é feito, dá origem a uma verdadeira infecção interna, uma espécie de septicemia galopante, que consome os indivíduos e os corpos sociais”.
O conflito reprimido é caracterizado por diversas situações em que nos sentimos desconfortáveis, prejudicados, magoados ou entristecidos e não resolvemos a situação. É uma dor guardada, um sentimento mal resolvido ou um sapo engolido. É como uma mãe dizendo pra você: - Engole esse choro menino, você já é homem!
Aprendemos desde pequenos a nos esconder atrás de um sorriso, fingir que nada está acontecendo e não tocar no assunto que nos trás a dor. É como colocar uma máscara para não sofrer, viver uma vida de ilusão achando que tudo se resolverá com o tempo. Empurrar para de baixo do tapete assuntos não resolvidos simplesmente por medo de encarar a realidade e trabalhar para chegar num acordo.
No centro de toda essa história está a comunicação. Ela que é pauta de matérias em MBA e muito discutida em diversos congressos de administração, é a causa da maioria das insatisfações no trabalho e problemas familiares graves. Guardar um sentimento, não falar o que está pensando ou não resolver um problema, acaba minando qualquer tipo de relacionamento, seja em casa ou no trabalho.
Fustier complementa que o indivíduo que sofre de conflito reprimido é “atormentado insistentemente por angústias que fazem com que fuja das situações difíceis, ou tente dissimulá-las através de arranjos artificiais e superficiais”.
Enxergamos o conflito como algo negativo e é por isso que fugimos dele de forma tão comum e drástica. Fela Moscovici, escreveu em seu livro “Equipes dão certo”, que o conflito possui numerosas funções positivas, entre elas o rompimento da rotina, o desafio de romper a acomodação, desvendar problemas escondidos, aguçar a percepção e o raciocínio, estimular a imaginação e a criatividade para trazer soluções originais.
O que precisamos realmente entender é que o conflito reprimido não desaparece com o tempo. É como uma ferida que não foi tratada. Um dia ela inflamará e trará dores horríveis causando outras complicações. “Para manter-se reprimido, o conflito drena muita energia que poderia ser centralizada para fins produtivos”.
Em todos os materiais que estudei sobre o assunto, consegui chegar a diversas soluções que convergem para um ponto central: comunicação. Dialogar, negociar e buscar um confronto saudável para a resolução dos problemas são formas de colocar os conflitos para fora e resolvê-los da melhor forma possível.
Precisamos encarar nossos conflitos de frente e buscar uma solução, ou fazer o máximo para que o conflito seja trabalhado até o nível em que as pessoas envolvidas consigam dialogar e buscar juntas soluções com benefícios para ambos os lados.
No jogo da vida conseguiremos viver em harmonia e de forma saudável se todos os indivíduos envolvidos no conflito se beneficiarem com o acordo. A negociação só é concluída com satisfatório resultado no ganha/ganha. E para ambos ganharem, terão que deixar para trás algo que não abririam mão. Ou seja, pra ganhar você terá que perder algo.
Ganhar é voltar para trás, ser humilde e dar as mãos para quem está ao seu lado. Quando o desejo de resolver o conflito tomar o lugar da teimosia, viveremos relacionamentos melhores, casamentos melhores e seremos totalmente felizes, com a paz que Deus deseja nos dar.
"Bem aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus" Mat. 5:3
Por Juliana C. Oliveira - Saúde Emocional

Um comentário:
Que maravilha esta sua mensagem, percebemos claramente o quanto temos que nos exercitar a buscar resolver determinada situação; não é fácil e,às vezes, os outros envolvidos não estão abertos ao diálogo.
Realmente é fundamental usarmos de humildade e pedirmos sabedoria a Deus, que como melhor estrategista que conheço, nos dará a melhor saída. Eu creio!
Ass: Cibele
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