Conflito reprimido - você foge dos problemas? por Juliana C. Oliveira

Você já sentiu uma dor tão grande no peito que não tinha explicação? Ou um momento de tristeza que nem você consegue entender?


Hoje resolvi escrever sobre o conflito reprimido, simplesmente porque ele faz parte da minha monografia no curso de pós-graduação. Sempre gostei de estudar assuntos ligados a mente humana, acredito que pra conseguir entender e digerir melhor todos os traumas e situações difíceis que vivi. Por incrível que pareça não fiz psicologia, mas amo essa área e gosto muito de ajudar alguns amigos com conselhos que eu mesmo aprendi na terapia e com os livros que li.


Esquadrinhando o livro “O conflito na empresa” de Michel Fustier, encontrei uma passagem que me fez, pela primeira vez, dimensionar o conflito reprimido e entendê-lo melhor: “Um ferimento não desinfetado no momento em que é feito, dá origem a uma verdadeira infecção interna, uma espécie de septicemia galopante, que consome os indivíduos e os corpos sociais”.


O conflito reprimido é caracterizado por diversas situações em que nos sentimos desconfortáveis, prejudicados, magoados ou entristecidos e não resolvemos a situação. É uma dor guardada, um sentimento mal resolvido ou um sapo engolido. É como uma mãe dizendo pra você: - Engole esse choro menino, você já é homem!


Aprendemos desde pequenos a nos esconder atrás de um sorriso, fingir que nada está acontecendo e não tocar no assunto que nos trás a dor. É como colocar uma máscara para não sofrer, viver uma vida de ilusão achando que tudo se resolverá com o tempo. Empurrar para de baixo do tapete assuntos não resolvidos simplesmente por medo de encarar a realidade e trabalhar para chegar num acordo.


No centro de toda essa história está a comunicação. Ela que é pauta de matérias em MBA e muito discutida em diversos congressos de administração, é a causa da maioria das insatisfações no trabalho e problemas familiares graves. Guardar um sentimento, não falar o que está pensando ou não resolver um problema, acaba minando qualquer tipo de relacionamento, seja em casa ou no trabalho.


Fustier complementa que o indivíduo que sofre de conflito reprimido é “atormentado insistentemente por angústias que fazem com que fuja das situações difíceis, ou tente dissimulá-las através de arranjos artificiais e superficiais”.


Enxergamos o conflito como algo negativo e é por isso que fugimos dele de forma tão comum e drástica. Fela Moscovici, escreveu em seu livro “Equipes dão certo”, que o conflito possui numerosas funções positivas, entre elas o rompimento da rotina, o desafio de romper a acomodação, desvendar problemas escondidos, aguçar a percepção e o raciocínio, estimular a imaginação e a criatividade para trazer soluções originais.


O que precisamos realmente entender é que o conflito reprimido não desaparece com o tempo. É como uma ferida que não foi tratada. Um dia ela inflamará e trará dores horríveis causando outras complicações. “Para manter-se reprimido, o conflito drena muita energia que poderia ser centralizada para fins produtivos”.


Em todos os materiais que estudei sobre o assunto, consegui chegar a diversas soluções que convergem para um ponto central: comunicação. Dialogar, negociar e buscar um confronto saudável para a resolução dos problemas são formas de colocar os conflitos para fora e resolvê-los da melhor forma possível.


Precisamos encarar nossos conflitos de frente e buscar uma solução, ou fazer o máximo para que o conflito seja trabalhado até o nível em que as pessoas envolvidas consigam dialogar e buscar juntas soluções com benefícios para ambos os lados.


No jogo da vida conseguiremos viver em harmonia e de forma saudável se todos os indivíduos envolvidos no conflito se beneficiarem com o acordo. A negociação só é concluída com satisfatório resultado no ganha/ganha. E para ambos ganharem, terão que deixar para trás algo que não abririam mão. Ou seja, pra ganhar você terá que perder algo.


Ganhar é voltar para trás, ser humilde e dar as mãos para quem está ao seu lado. Quando o desejo de resolver o conflito tomar o lugar da teimosia, viveremos relacionamentos melhores, casamentos melhores e seremos totalmente felizes, com a paz que Deus deseja nos dar.


"Bem aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus" Mat. 5:3

Por Juliana C. Oliveira - Saúde Emocional

Um comentário:

Anônimo disse...

Que maravilha esta sua mensagem, percebemos claramente o quanto temos que nos exercitar a buscar resolver determinada situação; não é fácil e,às vezes, os outros envolvidos não estão abertos ao diálogo.
Realmente é fundamental usarmos de humildade e pedirmos sabedoria a Deus, que como melhor estrategista que conheço, nos dará a melhor saída. Eu creio!
Ass: Cibele

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