Muitos pesquisadores estudam a repercussão dos horrores vividos nos campos de concentração nazistas na segunda geração de sobreviventes do Holocausto. O que se quer é avaliar as consequências psicológicas e físicas a longo prazo dessa tragédia para sempre cravada na memória da humanidade. Já se sabe que os filhos e filhas dos sobreviventes podem reproduzir, sem perceber, as alterações de comportamento manifestadas pelos pais, como inseguranças, irritabilidade sem motivo e tendência ao isolamento. Mas um estudo recente da neurobióloga suíça Isabelle Mansuy, do Instituto de Pesquisa do Cérebro da Universidade de Zurique, está ampliando a compreensão desses efeitos. “O estresse severo e crônico causa modificações genéticas que podem ser transmitidas às próximas gerações”, disse Isabelle à ISTOÉ.
As proposições da pesquisadora suíça baseiam-se na observação de animais submetidos a situações traumáticas logo após o nascimento. Para o estudo, que durou oito anos, os pesquisadores expuseram filhotes de camundongos recém-nascidos a estresse intenso, separando-os da mãe por duas semanas. Os ratos jovens apresentaram sintomas de depressão, impulsividade, apatia e desespero, entre outros, assim como as suas mães. Além disso, os comportamentos alterados foram mantidos ao longo de suas vidas. O trabalho foi publicado na revista científica “Biological Psychiatry”.
Na segunda etapa do estudo, os pesquisadores avaliaram os tecidos cerebrais e os espermatozoides dos camundongos machos. “Encontramos mudanças na expressão de cinco genes associados à regulação do estresse e a comportamentos como a ansiedade”, disse Isabelle. “Alguns deles passaram a trabalhar demais, enquanto outros ficaram menos ativos do que era esperado”, completa a pesquisadora. No estudo, a transmissão das alterações vistas nos machos traumatizados foi constatada em até três gerações, ou seja, nos descendentes dos filhos. Na próxima fase a cientista avaliará outros genes que também possam ter sofrido mudanças nos animais. [Leia mais]
Fonte: IstoÉ

Nenhum comentário:
Postar um comentário