Uma visão de águia - Por Otávio Simões

A época da Páscoa foi um momento oportuno para meditarmos no sacrifício dAquele que nos devolveu o direito à eternidade, e hoje está diante do Pai intercedendo por mim e por você com um corpo glorioso, depois de Se entregar na cruz do calvário.


Ao refletirmos na trajetória do Filho de Deus, dentre tantas lições que podemos tirar, há uma muito pertinente: Jesus foi capaz de olhar além do seu tempo e espaço, e isso, certamente, foi crucial para Sua vitória. Desde o Seu nascimento até Sua ignominiosa morte na cruz, a vida do Mestre foi marcada por incompreensão, dores e inimizade vindos de seus compatriotas e, muitas vezes, de seus seguidores.


Cristo teve sucesso no propósito de salvar a muitos e de pregar as boas novas da salvação. Mais tarde, Napoleão Bonaparte, admirado por tantos na História, manifestaria sua admiração por Ele, que, segundo afirmou o próprio general, não havia vencido pela força, mas pelo exemplo.

Você deve estar se perguntando: o que isso tem em comum com o tema desta coluna? Permitam-me, então, partir para as aplicações práticas que pude vislumbrar.


Quero me ater ao exemplo de abnegação do Mestre, de inconformismo com os conceitos estabelecidos por uma sociedade injusta, e com situações de subjugação do homem pelo homem. Procedendo dessa maneira ele devolvia a muitos a liberdade há tanto tempo almejada. Não seria isso que eu e você buscamos?


Talvez não exista algo que nos prenda tanto como nossos vícios e hábitos cultivados ao longo de nossa vida, dos quais colhemos doenças físicas, emocionais, e espirituais. Se é verdade que neste mundo de pecado não estamos isentos de passar por aflições, isso não significa que não possamos fazer nada para amenizar nosso estado caído e alcançar qualidade de vida.


O problema está no conceito equivocado do carpie diem, que nos aconselha a seguir nossos impulsos, como se essa fosse a única maneira de viver com intensidade. Movidos por essa ideia, muitos jovens perdem a vida nas estradas ao ultrapassarem o limite de velocidade, meninas se tornam mães precocemente e pessoas destroem seu próprio corpo com bebedeiras, noitadas e glutonaria.


Por que tanta gente diz estar curtindo a vida ao mesmo tempo que a destrói? Por que existe tão grande paradoxo? E por que, ao contrário, Cristo pregou e viveu abnegação, renúncia do eu, oferecendo ao mesmo tempo uma proposta de vida em abundância, vida esta desfrutada verdadeiramente por todos que a Ele se achegam?


Não se pretende, nesse espaço, esgotar a profundidade dessas indagações, mas desejo dirigir a atenção do caro leitor aos fatos. Jesus foi um pregador de sucesso, o maior de todos os tempos, e muitos derramaram o sangue por Ele. Apenas esse fato já deve nos causar espanto se o analisarmos com sinceridade. Como um carpinteiro de uma cidade desconhecida, com um discurso subversivo e impopular movimentou multidões em torno de uma causa? Um dos segredos do Mestre era sua visão de águia, a qual não se prendia aos sacrifícios do presente, mas estava fixada na coroa que logo seria recuperada e permitiria a salvação da humanidade.

Reflita agora em qual dos dois caminhos sua vida se encaixa: a filosofia do carpie diem ou da visão de águia? A distinção entre os dois é bem nítida, assim como os seus resultados: um traz prazer imediato, mas consequências desastrosas; o outro pode exigir renúncias no presente, mas trará uma colheita farta de bem-estar e vida plena.


Talvez você esteja colhendo as consequências de uma vida desregrada e se veja pressionado pela doença a mudar alguns hábitos. A boa notícia é que ainda é tempo, e que é possível reverter o quadro, desde que você seja perseverante e mantenha o foco em seu objetivo.


Ou, se você ainda é jovem, e dispõe de uma saúde invejável, não se conforme em seguir o estilo de vida irresponsável apregoado pela mídia, que trata sua vida como objeto de consumo. Seja verdadeiramente livre e vença o desafio de colocar sua razão acima de seus impulsos.


Em todo caso, o que poderá fazer toda a diferença é sua disposição em superar desafios e reformular conceitos, mesmo que isso implique alguns sacrifícios temporários. Afinal, um agricultor não pode esperar uma boa colheita sem antes preparar a terra e até mesmo observar as condições do tempo.


Assim, não fica difícil perceber porque precisamos abdicar de alguns preconceitos e efetuar mudanças em nossa mentalidade antes de partirmos para as mudanças de hábito propriamente ditas. Tudo depende do investimento que pretendemos fazer e da vida que pretendemos ter, em busca de sensações ilusórias ou de objetivos mais elevados e perenes.


Por último, não se esqueça de que, nesse processo, você sempre poderá contar com Jesus, cuja visão de águia nos permite voar além do Céu.
“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:2)


Por Otávio Simões - Da Causa para o Efeito

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